TEDxSP
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São Paulo, Brasil
4 de Fevereiro de 2012
A aids mata quase 1.000 pessoas por ano em São Paulo. A poluição do ar mata 4.000. A aids é considerada um problema de saúde pública, e médicos têm voz na definição de políticas públicas. A poluição do ar não – embora ela comprovadamente encurte em dois anos a vida do paulistano médio. Cuidar de poluição dos carros não é assunto do sistema público de saúde – é da secretaria dos transportes, da engenharia de tráfego, e ninguém leva em conta o impacto nos pulmões da população na hora de projetar mais avenidas. É com esse paradoxo que o patologista Paulo Saldiva começou a sua palestra no TEDxSP.
Saldiva é um tipo raro de acadêmico brasileiro. Ele é pesquisador, dos bons. Médico, especialista em poluição, trabalhou em Harvard, publica em revistas especializadas, é respeitado no mundo inteiro. Mas ele também é ativista. Tenta usar os dados que coleta para influenciar políticas públicas, para mudar hábitos, para melhorar a vida das pessoas. Ele fala contra a cultura do carro, critica a visão dominante, vive discutindo com politicos e empresários. Sem falar que ele vai trabalhar de bicicleta no Hospital das Clínicas. Enfim, ele une a teoria à prática, o pensamento à ação. Além de tudo isso, ele é um sujeito bem divertido.
É bom prestar atenção no que ele diz. Uma boa oportunidade para isso é assistir sua TEDtalk

[...] Na prática, não é isso que acontece. O médico Paulo Saldiva estuda a poluição das metrópoles há anos. É dele a expressão “racismo ambiental”, para designar o fato de que os males causados pelo automóvel não atingem a todos da mesma maneira. Afinal, quem está em um carrão parado na avenida respira menos partículas de ar que as pessoas que ficam paradas no ponto de ônibus. “O tempo de permanência das pessoas em um corredor de tráfego, quando se é mais pobre, é muito maior. A dose de poluição é maior”, diz. E não é só isso. “O ônibus velho que não pode rodar no corredor da Av. 9 de Julho desaparece no ar? Não, ele vai para a periferia”, afirma, em palestra no TEDxSP, em 2010: Paulo Saldiva – exclusão e racismo ambiental. [...]
[...] Na prática, não é isso que acontece. O médico Paulo Saldiva estuda a poluição das metrópoles há anos. É dele a expressão “racismo ambiental”, para designar o fato de que os males causados pelo automóvel não atingem a todos da mesma maneira. Afinal, quem está em um carrão parado na avenida respira menos partículas de ar que as pessoas que ficam paradas no ponto de ônibus. “O tempo de permanência das pessoas em um corredor de tráfego, quando se é mais pobre, é muito maior. A dose de poluição é maior”, diz Saldiva. E não é só isso. “O ônibus velho que não pode rodar no corredor da Av. 9 de Julho desaparece no ar? Não, ele vai para a periferia”, afirma, em palestra no TEDxSP, em 2009: Paulo Saldiva – exclusão e racismo ambiental. [...]