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	<title>TEDx São Paulo &#187; Andre Gravatá</title>
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		<title>O que faz você parar para olhar?</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Dec 2009 21:32:24 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Post colaborativo de Andre Gravatá *
Eu passei algumas horas andando pela cidade de São Paulo com um nariz postiço. Não um simples nariz postiço, mas sim um daqueles batatões acoplado a uns óculos de aro preto e sem lentes.
Por incrível que pareça, enquanto eu estava com o nariz, parecia que haviam ligado holofotes na minha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Post colaborativo de Andre Gravatá *</em></p>
<p>Eu passei algumas horas andando pela cidade de São Paulo com um nariz postiço. Não um simples nariz postiço, mas sim um daqueles batatões acoplado a uns óculos de aro preto e sem lentes.</p>
<p>Por incrível que pareça, enquanto eu estava com o nariz, parecia que haviam ligado holofotes na minha direção, ou mesmo que a bola do jogo estava comigo, porque praticamente todo mundo que passava ficava me olhando com uma expressão ora inquisidora, ora debochada. As pessoas riam, exclamavam: “é cada figura!”, um grupinho chegou a gritar: “nooossa, velho!”, e eu seguia passo a passo, impassível, sério. Houve um cara capaz de entrar num prédio e chamar mais gente para me observar. E eu? Continuei sério, seguindo minha trilha sem itinerário.</p>
<p>E eu seguia meu rumo assim, sisudo, porque a ideia de andar com esse nariz pelas ruas foi para discutir a percepção das pessoas. O que faz alguém parar uma conversa ou mudar de assunto e comentar algo que está observando? No célebre poema “O bicho”, do pernambucano Manuel Bandeira, dá para perceber que um homem fuçando o lixo fazia o poeta parar para olhar. Muito infelizmente, o simples fato de eu usar um nariz postiço chamou mais atenção do que os vários mendigos largados nas ruas que percorri.</p>
<p>Quem me deu a ideia de usar o tal nariz foi Luis Fernando Veríssimo. No conto “O nariz”, ele narra a história de um dentista que perdeu os clientes, a família e os amigos só porque comprou uns óculos com nariz postiço e encanou de não mais parar de usá-los. As pessoas davam mais atenção para o nariz de mentira do que para todo o passado do pai-esposo-dentista – claro que é ficção, no entanto, a percepção das pessoas tem dessas coisas.</p>
<p>Há uma semana, estava caminhando pela Avenida Paulista (desta vez sem nariz postiço) e vi, na frente de um prédio, vários vasos enormes, meio baixos e sem plantas, que na verdade pareciam lixeiras – principalmente porque continham bastante lixo. Conversei com o cara que estava varrendo dentro dos vasos para perguntar se eles iriam receber plantas ou seriam grandes depositários de bitucas. Ele me disse que logo colocariam terra e plantas, e enquanto isso as pessoas insistiam em não parar de jogar lixo. Praticamente não havia bitucas de cigarro no chão, só nos vasos enormes, como se as pessoas não vissem a lixeira menor ao lado.</p>
<p>Talvez em Itu, aquela cidade do interior de São Paulo conhecida por fazer tudo em tamanho <em>super size</em>, as pessoas abarquem mais coisas com os olhos. Só que tamanho não é o bastante, porque ele nem é documento nem suporta a banalização. Digo isso porque os mendigos ou o lixo nas calçadas passam despercebidos sobretudo por terem se tornado comuns.</p>
<p>Quase todo mundo se adapta muito rápido a determinadas coisas. Bagunça, por exemplo. Se a sua casa é bagunçada, chega um momento no qual você não está mais ligando para os livros embaralhados, meias debaixo da cama, pedaços de pizza esquecidos em cima da estante&#8230; Se o hábito faz o monge, o costume faz o acomodado.</p>
<p>Só falei tanto da questão da percepção porque é preciso perceber o que está acontecendo para prosseguir ao próximo passo, que é agir em relação ao que se percebeu. Ainda enquanto eu estava com o nariz postiço, esperando o sinal verde para atravessar a faixa de pedestres, uma mulher ao meu lado dava a impressão de estar prestes a falar alguma coisa para mim, só que o sinal da faixa abriu e ela acabou seguindo sem dizer nada. Se eu tivesse ficado mais tempo com o nariz, entrado em lojas, lanchonetes, enfim, duvido que não aparecesse alguém para puxar assunto comigo, questionar o postiço. Quanto mais gente percebe algo, mais gente se aproxima desse algo, mais pessoas surgem para pensar em como transformá-lo.</p>
<p>Quem sabe o começo da solução seja colocar narizes postiços nos mendigos, nas lixeiras, nos buracos das ruas e eventualmente, por ser mais difícil, na poluição. Daí mais pessoas podem perceber o que está despercebido e seguir, por exemplo, o conselho que a escritora Becky Blanton deixou ao final da sua palestra no TED.</p>
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<p><span style="color: #CCC">____________________________________</span></p>
<p><img style="float:left; margin-right: 15px; padding-bottom: 30px" class="size-full wp-image-1170 alignleft" title="andregravata" src="http://www.tedxsaopaulo.com.br/wp-content/uploads/2009/12/andregravata.jpg" alt="andregravata" width="90" height="106" />* <span class="vermelho">André Gravatá</span> tem 19 anos, é estudante de jornalismo, aspirante a escritor, estagiário, <a href="http://andregravata.wordpress.com/">blogueiro</a> nas horas vagas e voluntário nas horas não vagas.</p>
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