São Paulo, Brasil
4 de Fevereiro de 2012
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4 de dezembro de 2009

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É conversando que a gente se entende

Post colaborativo de Rodrigo Vieira da Cunha *

Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece. Recebi certo dia o link de uma palestra do Wade Davis, da revista National Geographic. Dizia minha amiga que enviou que era parte de um tal de TED, “um site com um monte de palestras legais”. Sem dúvidas, mas ao começar a navegar, vi que aquilo fazia parte de algo muito maior: um espaço de disseminação de ideias, de gente com pensamentos diferentes, inéditos, perturbadores, provocadores, despidos, grandiosos, simples, complexos e, essencialmente, inspiradores. Escritores, cientistas, poetas, músicos, engenheiros, esportistas, artistas, políticos etc. São doses de 18 minutos a serviço da inteligência coletiva. Sempre que acesso o TED lembro do Aleph de Jorge Luís Borges. É como se eu pudesse ver pela janela do monitor a essência do conhecimento humano.

O TED é uma fonte de inspiração que ganha força na imensa diversidade que lá orbita. Os TED Talks são falas que viram conversas. Já ouvi de gente que vê uma palestra por dia para puxar assunto, para ter o que falar, para conversar. É impossível ver um TED Talk e ficar sem comentar com alguém. Você é obrigado a falar do que viu. É como se as palestras disparassem o gatilho do preciso-contar. Não por acaso, o slogan é Ideas Worth Spreading. Ideias que merecem ser espalhadas. Via conversa, camarada… é o melhor jeito de compartilhar.

Lembrei da minha avó. Ela apartava as brigas entre os netos dizendo para a gente conversar. “Por que é conversando que a gente se entende”. Pessoas ganham prêmios Nobel da Paz porque aproximam pessoas que sozinhas não conseguem conversar. Kofi Annan, Jimmy Carter, Nelson Mandela, Mikhail Gorbachev são exemplo bem representativos.

Todos esses líderes ao apoiar o diálogo viabilizavam a convivência da diversidade. Além da questão de gênero, raça, cor, opção sexual, diversidade significa tolerância. Ouvi reclamações ao final do TEDxSP de que tinha gente ali que não deveria ter sido convidada a falar, que não tinha nada a ver, que era muito esotérico etc. O que vi foi algo diferente: uma diversidade de ideias sem fronteiras. Uma das frases que mais me chamou a atenção no TEDxSP foi de Carlos Buby, o palestrante mais improvável do sábado. Ele disse: “Posso não acreditar em uma palavra do que você diz, mas lutarei com todas minhas forças para que você expressá-la.”

Meu chefe costuma dizer: “Como são inteligentes aqueles que pensam igual a mim”, para ironicamente lembrar que é difícil aceitar ideias “contrárias”. Ora, são ideias contrárias que constroem o mundo. A contrariedade é o mote da inovação. Ninguém que está satisfeito com o que vê pensa em mudar as coisas. Inovação é fazer diferente. Qualquer consultor em criatividade, redator publicitário ou inventor sabe que precisa de referências diferentes, fora da rotina, para ter ideias novas, criativas, ou transformadoras.

E para isso, é preciso conversar. Conversar é buscar a razão onde não se encontra. Casais conversam para se acertar, empreendedores para fazer negócios, políticos para governar, crianças para simular e entender o mundo que estão conhecendo, inimigos para fazer as pazes, jornalistas para publicar histórias etc.

A inspiração para esse post veio na palestra de Kofi Annan, que esteve no Brasil na semana passada, comentando sobre um dos diálogos mais controversos dos últimos tempos. Perguntaram a ele o que achava da vinda de Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, ao Brasil. Ahmadinejad é criticado por negar o Holocausto, entre outras posições absurdas ou polêmicas. É quase um pária internacional. E tem um programa nuclear que amedronta a todos. Sob esse ponto de vista, Lula está certo. É mais racional falar com um cara como Ahmadinejad do que deixá-lo falando sozinho. Falar sozinho, a história mostra, cria gente com Adolf Hitler, Mao Tsé-Tung, Kim Jong-Il, Saddam Hussein, a lista é longa…

Annan, não à toa Prêmio Nobel da Paz, fez valer o título em uma frase. E nem precisou defender Ahmadinejad, bastou explicar: “Para buscar a paz, há de se buscar o diálogo com os inimigos. Se o diálogo for só entre os aliados, não vai resolver.” Ou seja, já dizia a minha avó: É conversando que a gente se entende. Não acredita? Pois então, veja abaixo como a falta de conversa é capaz de emburrecer as pessoas. Macacos são 99% idênticos a humanos, mas têm uma desvantagem: eles não sabem conversar.

Agora, a pergunta: se você fosse Lula, aceitaria conversar com Ahmadinejad como ele propôs, ou diria que não, que ele não poderia vir até aqui, na sua casa?

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Rodrigo Vieira

* Rodrigo Vieira da Cunha tem 33 anos, é gaúcho, casado, surfista e pai de 2 filhos. É assessor de comunicação e reputação da presidência do Grupo Santander do Brasil. É jornalista, passou pelas redações das revistas Veja, Você S/A e pelo jornal Zero Hora. Venceu o Prêmio de Excelência Jornalística Citibank e Prêmio Fiat Allis de Jornalismo Econômico. É autor do livro Como Fazer uma Empresa Dar Certo em um País Incerto, publicado pelo Instituto Empreender Endeavor, escolhido pela revista Exame como um dos dez melhores livros de economia no mundo em 2005.

4 de dezembro de 2009

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Como colaborar

A participação no blog colaborativo do TEDxSP é livre e aberta a quem achar que tem algo a dizer que seja importante, inspirador, inovador, transformador, mobilizador.

As colaborações não serão remuneradas e o conteúdo do blog é aberto, porque ideias precisam se espalhar.

Os posts devem ter no máximo 4.000 caracteres de texto ou 4 minutos de vídeo ou áudio, mas colaborações menores são muito bem vindas. Mapas, ilustrações, fotos, infográficos, e outras plataformas que possam contribuir para o blog serão incentivadas.

O material deve ser acompanhado de uma foto sua bem legal, com 600 X 400 pixels, e de uma brevíssima ficha biográfica de duas ou três linhas.

Queremos que os posts sejam como uma palestra do TED – portanto pedimos que você prepare algo especial para a gente.

Pedimos também que você observe os Mandamentos do TED:

I.
Sonhe alto. Empenhe-se para criar o melhor post que você já fez. Mostre algo nunca antes visto. Faça algo que a audiência lembrará eternamente. Compartilhe uma ideia que possa mudar o mundo.
II.
Mostre o verdadeiro você. Compartilhe suas paixões, seus sonhos… e também seus medos. Não se importe em ser vulnerável. Fale sobre fracasso, assim como sucesso.
III.
Faça o complexo ser simples. Não tente expôr toda sua intelectualidade. Não se perca em abstrações. Explique! Dê exemplos. Conte histórias. Seja específico.
IV.
Estabeleça uma conexão emocional com a audiência.
V.
Não infle seu ego. Não conte vantagem.
VI.
Não faça jabá. A não ser que tenhamos solicitado, não fale sobre sua empresa ou organização. E não pense, de jeito nenhum, em oferecer seus produtos e serviços ou pedir ajuda financeira.
VII.
Sinta-se a vontade para comentar sobre outros posts ou palestras, para elogiar ou criticar. Discussão é algo animador! Outro ponto de vista pode ser poderoso!

Haverá um limite de um post por dia, cinco por semana. Isso significa que nem todo o material enviado será necessariamente publicado. Iremos dar preferência para os posts que melhor representem o espírito expresso nos mandamentos acima e tentaremos buscar diversidade de abordagens, temas e pessoas.

Iremos também fazer sugestões de mudanças, com o objetivo de conseguir mais clareza, mais impacto e também corrigir eventuais erros de informação. Obviamente, você pode ficar à vontade para recusar nossas sugestões. Só queremos ajudar, não controlar o que será dito.

Se você quiser conversar conosco sobre a sua ideia antes de enviar o post pronto, sinta-se à vontade. Teremos prazer em comentar.

Escreva para: blog@tedxsaopaulo.com.br

1 de dezembro de 2009

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Osvaldo Stella – Lágrimas e risadas

O engenheiro Osvaldo Stella Martins é coordenador de projetos do Programa de Mudança Climáticas do IPAM ( Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e um dos diretores da Iniciativa Verde, uma organização dedicada à tarefa de plantar árvores em matas ciliares para compensar emissões de carbono. Ele também pesquisa fontes limpas de energia, como o biogás, e é um dos acadêmicos brasileiros mais atuantes no combate às mudanças climáticas e na defesa da Amazônia. Foi para contar sobre essas coisas que ele foi convidado pelo TEDxSP. Mas, quando subiu ao palco, Stella avisou que estava tão emocionado pelas outras palestras que nem se lembrava mais do que é que ele iria falar. Momentos antes, ele tinha anunciado que, se o fizessem chorar uma vez mais, ele iria desidratar.

Stella, com seu jeitão sincero e o talento de contador de histórias, foi um dos palestrantes que mais fez a plateia rir. Ele falou de mudanças climáticas, mas seu assunto principal foram as mudanças pessoais: a coragem de sonhar, de mudar de rumo, de começar de novo. Para nós, foi inspirador.

30 de novembro de 2009

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Jarbas Agnelli – “Birds on the wires”, uma música a partir de uma foto

De onde vem o olhar inconsciente que leva algumas pessoas a terem ideias excepcionais? Será o momento? Será o lugar? Talvez seja apenas a modo como enxergarmos os acontecimentos em nossa frente, a maneira como os percebemos. Para o publicitário e músico Jarbas Agnelli é “possível ver poesia em qualquer lugar, depende de como se olha”. E foi isso que ele fez.

Durante algum tempo, Jarbas esteve dividido entre a música e a direção de comerciais. Na dúvida decidiu ficar com as duas e criou o AD Studio. Lá designers e animadores trabalham junto com músicos no processo criativo de filmes. Especificamente na música teve uma boa experiência com a banda Avenida Paulista que emplacou hits nas rádios londrinas. Como publicitário teve destaque como único brasileiro a receber o Grand Clio, prêmio de propaganda americano além de ter trabalhado mais de 13 anos na agência W/Brasil.

Em sua palestra, Jarbas compartilhou a história da foto que originou a composição “Birds on the wire”. A música rodou milhares de lares através da internet e ganhou um proporção maior que ele imaginava. Um relato que faz acreditar que que boas ideias podem vir de lugares inimagináveis e que a realização só depende da força de vontade.

25 de novembro de 2009

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Paulo Saldiva – exclusão e racismo ambiental

A aids mata quase 1.000 pessoas por ano em São Paulo. A poluição do ar mata 4.000. A aids é considerada um problema de saúde pública, e médicos têm voz na definição de políticas públicas. A poluição do ar não – embora ela comprovadamente encurte em dois anos a vida do paulistano médio. Cuidar de poluição dos carros não é assunto do sistema público de saúde – é da secretaria dos transportes, da engenharia de tráfego, e ninguém leva em conta o impacto nos pulmões da população na hora de projetar mais avenidas. É com esse paradoxo que o patologista Paulo Saldiva começou a sua palestra no TEDxSP.

Saldiva é um tipo raro de acadêmico brasileiro. Ele é pesquisador, dos bons. Médico, especialista em poluição, trabalhou em Harvard, publica em revistas especializadas, é respeitado no mundo inteiro. Mas ele também é ativista. Tenta usar os dados que coleta para influenciar políticas públicas, para mudar hábitos, para melhorar a vida das pessoas. Ele fala contra a cultura do carro, critica a visão dominante, vive discutindo com politicos e empresários. Sem falar que ele vai trabalhar de bicicleta no Hospital das Clínicas. Enfim, ele une a teoria à prática, o pensamento à ação. Além de tudo isso, ele é um sujeito bem divertido.

É bom prestar atenção no que ele diz. Uma boa oportunidade para isso é assistir sua TEDtalk

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