TEDxSP
Busk
São Paulo, Brasil
20 de Maio de 2013
Como colaborar

Para expressar tudo aquilo que o Brasil tem de melhor, Thalma de Freitas resolveu cantar o amor, “não um amor romântico, mas um amor metafísico … empírico”, segundo ela. As belas vozes cantaram a canção “Amor Imenso”.
Vozes porque junto com a cantora se apresentam Iara Reno, Tatiana Parra, Dani Gurgel, Luzmarina Espíndola, Anelis Assumpção, Flávia Maia e Patrícia Ribeiro. Thalma é filha do compositor e maestro Laércio de Freitas e desde 1992 sobe as palcos para se apresentar em musicais. Além disso, a moça é atriz e já participou de filmes como “O Xangô de Baker Street” e “Filhas do Vento”.
Segundo o apresentador do TEDx SP, Hélder Araujo, “Thalma entendeu tão bem o conceito do TED de compartilhar ideias, que convidou mais sete amigas para cantarem”. O resultado você vê no vídeo abaixo.
21 de dezembro de 2009
Tags desta notícia:
Andre Gravatá
Avenida Paulista
Becky Blanton
Luis Fernando Veríssimo
TED.com
TEDxSP
Post colaborativo de Andre Gravatá *
Eu passei algumas horas andando pela cidade de São Paulo com um nariz postiço. Não um simples nariz postiço, mas sim um daqueles batatões acoplado a uns óculos de aro preto e sem lentes.
Por incrível que pareça, enquanto eu estava com o nariz, parecia que haviam ligado holofotes na minha direção, ou mesmo que a bola do jogo estava comigo, porque praticamente todo mundo que passava ficava me olhando com uma expressão ora inquisidora, ora debochada. As pessoas riam, exclamavam: “é cada figura!”, um grupinho chegou a gritar: “nooossa, velho!”, e eu seguia passo a passo, impassível, sério. Houve um cara capaz de entrar num prédio e chamar mais gente para me observar. E eu? Continuei sério, seguindo minha trilha sem itinerário.
E eu seguia meu rumo assim, sisudo, porque a ideia de andar com esse nariz pelas ruas foi para discutir a percepção das pessoas. O que faz alguém parar uma conversa ou mudar de assunto e comentar algo que está observando? No célebre poema “O bicho”, do pernambucano Manuel Bandeira, dá para perceber que um homem fuçando o lixo fazia o poeta parar para olhar. Muito infelizmente, o simples fato de eu usar um nariz postiço chamou mais atenção do que os vários mendigos largados nas ruas que percorri.
Quem me deu a ideia de usar o tal nariz foi Luis Fernando Veríssimo. No conto “O nariz”, ele narra a história de um dentista que perdeu os clientes, a família e os amigos só porque comprou uns óculos com nariz postiço e encanou de não mais parar de usá-los. As pessoas davam mais atenção para o nariz de mentira do que para todo o passado do pai-esposo-dentista – claro que é ficção, no entanto, a percepção das pessoas tem dessas coisas.
Há uma semana, estava caminhando pela Avenida Paulista (desta vez sem nariz postiço) e vi, na frente de um prédio, vários vasos enormes, meio baixos e sem plantas, que na verdade pareciam lixeiras – principalmente porque continham bastante lixo. Conversei com o cara que estava varrendo dentro dos vasos para perguntar se eles iriam receber plantas ou seriam grandes depositários de bitucas. Ele me disse que logo colocariam terra e plantas, e enquanto isso as pessoas insistiam em não parar de jogar lixo. Praticamente não havia bitucas de cigarro no chão, só nos vasos enormes, como se as pessoas não vissem a lixeira menor ao lado.
Talvez em Itu, aquela cidade do interior de São Paulo conhecida por fazer tudo em tamanho super size, as pessoas abarquem mais coisas com os olhos. Só que tamanho não é o bastante, porque ele nem é documento nem suporta a banalização. Digo isso porque os mendigos ou o lixo nas calçadas passam despercebidos sobretudo por terem se tornado comuns.
Quase todo mundo se adapta muito rápido a determinadas coisas. Bagunça, por exemplo. Se a sua casa é bagunçada, chega um momento no qual você não está mais ligando para os livros embaralhados, meias debaixo da cama, pedaços de pizza esquecidos em cima da estante… Se o hábito faz o monge, o costume faz o acomodado.
Só falei tanto da questão da percepção porque é preciso perceber o que está acontecendo para prosseguir ao próximo passo, que é agir em relação ao que se percebeu. Ainda enquanto eu estava com o nariz postiço, esperando o sinal verde para atravessar a faixa de pedestres, uma mulher ao meu lado dava a impressão de estar prestes a falar alguma coisa para mim, só que o sinal da faixa abriu e ela acabou seguindo sem dizer nada. Se eu tivesse ficado mais tempo com o nariz, entrado em lojas, lanchonetes, enfim, duvido que não aparecesse alguém para puxar assunto comigo, questionar o postiço. Quanto mais gente percebe algo, mais gente se aproxima desse algo, mais pessoas surgem para pensar em como transformá-lo.
Quem sabe o começo da solução seja colocar narizes postiços nos mendigos, nas lixeiras, nos buracos das ruas e eventualmente, por ser mais difícil, na poluição. Daí mais pessoas podem perceber o que está despercebido e seguir, por exemplo, o conselho que a escritora Becky Blanton deixou ao final da sua palestra no TED.
____________________________________
* André Gravatá tem 19 anos, é estudante de jornalismo, aspirante a escritor, estagiário, blogueiro nas horas vagas e voluntário nas horas não vagas.
Post colaborativo de Eduardo Lemos Abade *
Estou incomodado. Tanto que resolvi escrever. Olha que não faço há bastante tempo. É um instinto incontrolável, uma vontade de dizer basta. Não somos dois Brasis – o deles é uma “merda” e o nosso é bom.
Na verdade, é apenas um Brasil, e este não é tão bom assim. Se vocês que tanto tem quisessem compartilhar ao menos o mesmo lugar. Mas não, preferem pensar que são melhores, e de cara informo – não são.
O Brasil que tanto criticam existe porque muitos de vocês se fecham na redoma e esquecem de colaborar com o que podem. Não precisamos de esmolas, mas de integração, união, precisamos nos reunir como um só corpo, um só espírito livre, uma só identidade. A identidade brasileira.
Não precisamos a todo instante sermos dois Brasis, isto não é bom. Vamos reunir, resgatar valores. Construir. Um só Brasil pode estudar, ter acesso a saúde, desenvolver seu potencial, não é necessário a todo instante subjugar o mundo alheio. É hora de nos identificarmos com os outros brasileiros, pelo que somos – não nos escondermos no discurso de que seu Brasil é bom e o deles uma “merda”.
Em menos de duas semanas escutei a mesma frase proferidas por pessoas de círculos distintos e que poderiam ajudar a pensar um Brasil diferente, mas que preferem se manter isoladas na redoma de cristal, sendo brasileiro, sem querer ser. E, quando é, é de um Brasil diferente.
Então, é hora de resgatarmos a nossa identidade de sermos, não apenas termos, e quando somos, SOMOS todos brasileiros, pobre, rico, branco ou preto, além de outras variações.
Pensem! É hora de sermos o Brasil.
____________________________________

* Eduardo Lemos Abade é membro da comunidade TED internacional. Advogado para incentivos tecnológicos, é sócio do Lopes&Lemos Advocacia e Consultoria. Criou o movimento GSTBrasil (globalização, solidariedade e tecnologia) por um mundo melhor.
Ele entrou no palco um pouco tímido, com um sorriso para baixo mas logo o designer carioca Flávio Deslandes se soltou para compartilhar com o público do TEDx SP sua invenção. Ele projetou e idealizou a bicicleta feita de bambu. Na verdade ele criou mais de dez tipos de bicicletas com bambu nativos do Brasil movido pelo ideal de criar um instrumento que reforçasse a relação harmoniosa entre a bicicleta e a cidade.
Radicado na Dinarmarca em 2000, Flávio desenvolveu uma bicicleta para a marca Biomega e a submeteu a um teste de resistência, no qual a bicicleta é submetida a uma força cada vez maior, até quebrar. A máquina que fazia o teste quebrou antes da bicicleta. Sinal de trabalho, dedicação e pesquisa sobre a ideia. No processo, o designer chegou a criar máquinas e ferramentas especiais para se trabalhar o material. Segundo ele “é necessário enxergar as riquezas do Brasil e trabalhar com elas, pois temos muita gente criativa com uma mão de obra excelente”.
O interessante é ver que efetivamente a força de vontade e empenho tranformam ideias em algo concreto, como é o caso da bicicleta de bambu.
Revolução de dados, mais e mais, sempre e sem parar. Organizar todas informações disponibilizadas atualmente para um melhor entendimento de nossa sociedade não é tarefa fácil. Seja para contabilizar dados do transporte público ou mesmo para entender uma novela. Foi isso que Fernanda Viégas fez utilizando o recurso de data visualization (visualização de dados).
Ela é designer computacional e apresentou o site Many Eyes para o público do TEDx SP. O site tem como intenção transformar estatísticas complicadas em gráficos visualmente fáceis de entender. “É muito difícil quando as informações são dadas em planilhas em quantidades esmagadoras de dados” confirma Fernanda.
Assim surgiu o Many Eyes. Lá qualquer pessoa pode inserir os dados que o site transforma em gráficos em que só de bater o olho é possível entender. Como dito antes, até mesmo uma novela. A exemplificação arrancou gargalhadas do público que viu que poderia acompanhar a novela facilmente, sem mesmo assisti-la.
Fernanda Viégas mostra esse projeto que se identifica com a proposta do TEDx SP: compartilhar
ideias, possibilidades e fomentar caminhos que indiquem um mundo harmônico. E faz isso tudo,
nos fazendo rir.