TEDxSP
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São Paulo, Brasil
30 de Julho de 2010
Como colaborar

Como diz Eduardo Gianetti da Fonseca, “o futuro vem do futuro”, mas é possível vislumbrar um movimento que deverá nos acompanhar nos próximos tempos: a simplicidade como base do universo de consumo. Pode ser que alguma vertente desta tendência seja aniquilada pelos tempos instáveis em que vivemos, mas outras serão absorvidas em uma nova dinâmica que começa a se formar.
Sabemos que não sabemos onde iremos parar, mas o que está acontecendo no mundo é uma mudança a fórceps de uma civilização de excessos. Excesso de inconsciência em relação à sustentabilidade, excesso de insensibilidade em relação ao próximo e a responsabilidade social, excesso de consumo predatório, excesso de valores equivocados, excesso de “eu ganho-ganho”. Na vida econômica, como na pessoal, às vezes precisamos ser forçados a mudar. Sem o caos econômico não iríamos fazer alguns sacrifícios importantes deste processo de mudança.
Na civilização que ora se vai, o mundo sustentava-se em um equilíbrio entre a China na produção e os Estados Unidos no consumo. O consumo desenfreado norte-americano não sustenta mais esta equação face ao desemprego e a falta de confiança do consumidor, dentre outros fatores. As mudanças que estão em formação, em particular nos Estados Unidos, mas também no mundo todo, nos levam a concluir que a Era da Simplicidade começou. Ainda é um sinal fraco, mas está lá no horizonte, até porque a demanda do mercado norte-americano nunca mais será a mesma.
A Simplicidade como um movimento, já existia mesmo antes dos eventos econômicos. Em todos os aspectos. A diferença é que agora tornou-se imperativa. Não há recursos no planeta para sustentar o consumo da forma como estava. Nesta sociedade paradoxal, havia de um lado o excesso e de outro a exclusão de um grande contingente.

É possível perceber os sinais de mudanças. Estão por todos os lados. Por exemplo:
Pontos de Vendas: depois de décadas com projetos arquitetônicos mirabolantes a reflexão agora é menos. Lojas com menos elementos, seja porque os consumidores não conseguem ler todas as informações que colocamos na sinalização, seja para baratear os custos, seja para adequar-se a uma visão sustentável.
Produtos – Apesar do livro A Cauda Longa nos ensinar que cada vez teremos mais alternativas, as pessoas dividem-se de forma paradoxal. De um lado ficam estressadas com tantas alternativas, de outra pedem novidade o tempo todo, já que a obsolescência acontece no ato da compra. De qualquer forma veremos muitas empresas saírem dos negócios nos próximos anos, e as que ficarem irão depurar seus mix já que o momento pede reflexão sobre a curva ABC.
Insumos – Desperdiçamos muito do nosso planeta finito em elementos que vão para o lixo, no exato instante em que chegam às nossas casas. Um exemplo são as embalagens de proteção. Temos ainda muita redução, diminuição de elementos e revisão de matérias primas para fazer. Estas reduções geram economia em progressão geométrica: embalagens menores com insumos mais eficientes ou a ausência de invólucros propiciam economia de transporte, de armazenagem, de rupturas, combustível, etc. Algumas empresas já começaram, mas tudo está por fazer.
Menores Distâncias – O conceito de Carbono Neutro reforçou a importância de produtos originados de distâncias menores, da própria cidade, do próprio bairro. Na Itália, existem há muitos anos Clubes de Compras de Consumidores, como o G.A.S (Gruppo di Acquisto Solidale) que privilegiam fornecedores locais.
Luxo – Definitivamente o luxo contemporâneo é diferente do luxo ostentatório do passado, que ainda existe por aí, mas já embute códigos descompassados com o momento. É comum empresas deste segmento não utilizarem mais logomarcas nas fachadas e vemos que descolado hoje é misturar marcas de grife com peças muito básicas, muito simples e muito essenciais. Bom gosto sempre foi menos. Agora é “menos” ainda.
Casas – Nossas casas tornaram-se mais práticas, com menos móveis, menos adereços inúteis, menos formais e o uso de peças de demolição sejam pisos, portas ou móveis, tornaram-se uma expressão contemporânea.
Atitude – Jóias em excesso, casacos de pele, muita maquiagem, excessos de exposição de grifes, relacionamentos predatórios, grosserias com menos afortunados, vampirismo empresarial, exibicionismo – todos são aspectos que estão sub júdice. Ostentar tornou-se um descompasso. Costumo citar o exemplo de nosso maior patrimônio em glamour – a modelo Gisele Bündchen – uma pessoa básica do tipo jeans e camiseta. O glamour que a pessoa jurídica Gisele Bündchen vende, insere-se no mundo do entretenimento. É um sonho do mundo do show biz não vivido pela pessoa comum, nem pela pessoa física Gisele, que é pura simplicidade. O casamento dela foi emblemático desta atitude.
Os exemplos são incontáveis, mas é importante frisar: precisamos do consumo. É sobre ele que ancora-se a sociedade contemporânea, mas deve ser diferente. Porém, para que ele seja diferente, nós é que temos que mudar. Temos muita lição de casa para fazer.
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* Beth Furtado é autora do livro “Desejos Contemporâneos” e é sócia-diretora da ALIA, consultoria de marketing. É colunista do Programa Comercial & Cia on Radio, com “Idéias e Tendências” veiculado na BandNews FM às segundas-feiras às 21:20. Siga no Twitter (http://twitter.com/bethfurtado). Site: www.aliasite.com.br.
11 de maio de 2010
A engenheira agrônoma, Francisca Cavalcanti apresentou, na primeira edição do TEDx SP, o projeto Farmácias Vivas, desenvolvido no norte do país que utiliza plantas medicinais para fins fitoterápicos em benefício de várias comunidades.
Essa é, de fato, uma iniciativa válida de ser compartilhada. Mas o que Francisca trouxe para o TEDx SP foi, além do projeto, a importância de sempre reconhecer o saber popular como uma fonte de aprendizagem. Segundo ela, a Farmácia Viva é um exemplo concreto da junção entre o saber científico e o saber popular.
Sobre o evento, Francisca ficou sem palavras no final. “Estou muito feliz de ter participado, minha cabeça sai diferente daqui.” Ela afirmou ainda que no Brasil há sempre alguém desenvolvendo algum trabalho voltado para sociedade e que também merece ser compartilhado.
Para conhecer mais sobre o projeto Farmácia Viva veja o vídeo de Francisca Cavalcanti, no TEDxSP.
4 de maio de 2010
Casey Caplowe foi o único palestrante de fora do país a participar do TEDx SP. Ele foi escolhido por ser o co-fundador da Good Magazine, uma revista que é voltada para pessoas que querem fazer o bem e almejam um mundo melhor.
Em sua palestra ele falou um pouco da revista, contando o objetivo central e a trajetória atrás de informar cada vez melhor os leitores que ’se importam’. Ele disse também que os profissionais que trabalham na Good estão sempre atrás de novos modelos de informações que envolvem pesquisas e meios de levar informação formar um mundo melhor.
E são justamente esses modelos que Casey disse que o Brasil tem de melhor para oferecer. Para exemplificar sua citação ele mostra o trabalho de alguns brasileiros ao redor do mundo que o agradaram e que fizeram diferença.
Na palestra, vários insights servem de modelo para quem, assim como ele, se importa com o lugar onde vive e acha melhor consertar, que deixar. Veja o vídeo para detalhes, conheça Casey, conheça a Good e veja também outro exemplo de que ganhar dinheiro e fazer bem não são ações excludentes.
23 de abril de 2010
Segunda-feira, dia 26 de abril, é aniversário de Dona Adozinda Kuhlmann. Ela vai fazer 93 anos. Como acontece todos os anos, sua casa, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, vai se encher de gente. As portas serão abertas de manhã cedinho, lá pelas 7. E vai haver gente ocupando os sofás e comendo os petiscos até bem tarde de noite, querendo dar os parabéns, abraçar Dona Adozinda, ouvir suas poesias e histórias. Cada um vai embora para casa com um presente – uma lembrancinha, como ela diz: um enfeite, uma caneta, um chaveiro ou alguma outra coisa chinesa baratinha e bem sacada. Mais de 400 pessoas irão visitá-la. Não duvido que passem de 500 (ela mantem um “livro de visitas” para saber depois).
As visitas são amigos de todas as idades. Sem dúvida algumas “autoridades” do bairro: padres, vereadores, artistas e outras celebridades locais. Mas, acima de tudo, alunos. Alunos, seus filhos e seus netos (e há muitas famílias que têm três gerações de alunos de Dona Adozinda). Muitos deles sofrem de alguma deficiência mental: autismo, paralisia cerebral, síndrome de Down. E, ainda assim, a maioria tem aquele olhar orgulhoso de quem, apesar das dificuldades, aprendeu a ler. Uns foram tão longe que se formaram na faculdade.
Dona Adozinda é professora. Professora particular, dessas que ajudam alunos em dificuldade. Trabalha com tanta paixão, com tanta persistência, que se especializou em casos “difíceis”. E, ao longo das décadas, provou que não existem casos difíceis, existem professores que não tentam o suficiente. Ela continua imensamente ativa, aos 93.
No dia do TEDxSP, dona Adozinda chegou antes das 8 da manhã e, às 10 e tanto da noite ainda era das mais animadas, conversando, contando histórias para o público, que tinha adorado sua emocionante palestra. Perguntei para ela se ela não estava muito cansada, se não queria ir embora. Ela disse que não, que estava se divertindo.
– Parece aniversário – falou.
7 de abril de 2010
Preservar o meio ambiente para proliferação das mais diversas espécies – inclusive a nossa – é alvo de preocupação constante de órgãos, como The Nature Conservancy, e universidades, como a UCLA. E são esses dois os parceiros de Ana Paula Giogi, doutoranda na área de conservação ambiental.
A pesquisadora utiliza de técnicas do sensoriamento remoto aplicados a diversas variáveis ambientais para indicar as condições ideais para determinada espécie. O mecanismo ajuda na prevenção contra extinção e no melhoramento nas tomadas de decisão para conservação do meio ambiente.
Isto é, resumidamente, o trabalho de Ana Paula que seguiu o sonho de graduação e fez uma ponte entre a ciência e a conservação aplicada. Para entender melhor ainda o projeto, assista ao vídeo de apresentação dela no TEDx SP.